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Sou Emanuella Maria (Manu), uma romântica inconsolável que adora coisas vintage e viajar. Há 7 anos moro na capital americana, Washington DC e neste espaço divido um pouco da vida no estrangeiro e o que me inspira no dia-a-dia. Falo das coisas que faço, do que gosto e o que me faz feliz.

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22.05.2014

como saber superar uma perda

Recentemente eu li o poema da Elizabeth Bishop, A Arte de Perder, onde ela diz que arte de perder não é nenhum mistério por muito que pareça. Eu acho que eu sou a rainha em perder as coisas, até penso que no meu quarto tem um buraco negro onde tudo desaparece. Dia desse perdi meu brinco preferido, já perdi dinheiro, maquiagem e até um livro. Tudo no meu quarto e nunca mais achei. Sempre foi assim, desde criança. Um dia em perdi a minha boneca preferida e chorei por dias e acho que depois dessa perda aprendi a aceitar. De lá pra cá, houve outras perdas, muitas bobagens, nada que fizesse muita falta, mas também tive perdas bem maiores, familiares que se foram, perdi amores e afetos importantes e mais recentemente eu perdi meu trabalho.  Na verdade, meu contrato acabou e o orçamento não foi renovado, então na época depois do susto, fiquei três meses a procura de um novo trabalho. Foi meio estranho esse período, principalmente porque eu não queria qualquer coisa.  Mas hoje já tenho um novo trabalho e tudo está no ritmo certo.

Claro que saber lidar com a perda – todo tipo de perda – é uma tarefa difícil para qualquer pessoa, em qualquer situação ou idade. O sofrimento é único, e cada pessoa precisa respeitar seu ritmo pessoal e seu próprio tempo, sem expectativa para conseguir fechar o ciclo da perda. Não existe um botão para acionar e interromper um sentimento.

Mas acreditar que a vida deveria ser diferente, não envolvendo escolhas dolorosas, sofrimentos e perdas são irreais e só traz revolta, o que só prejudica. Tornando nossas expectativas quanto a nós mesmos, aos outros e à vida mais realistas, fica mais difícil nos frustrarmos e mais fácil nos adaptarmos.

Ninguém passa por situações que não mereça, por puro acaso; nem enfrenta uma carga maior do que a que tenha capacidade para carregar.

Saber que não vivemos num mundo desorganizado e que existem leis universais, “nada acontece por acaso”;  tudo tem uma razão de ser justa e produtiva, nos leva a encarar os acontecimentos (com relação a nós e aos outros envolvidos), mesmo os mais difíceis, como oportunidades de aprendizagem e crescimento.

E eu aprendi com todas essas perdas saber aceitar. Aprendi que não devo perder a fé e que perder não é o problema, pois sempre há algo sobressalente. Claro que recentemente com a perda do trabalho perdi também um pouco o ritmo aqui no blog e agora que estou voltando aos poucos. Então fui escrevendo menos e menos e a inspiração estava meio de lado.  Mas aí alguém uma vez me falou: “Manu como você consegue ficar tão calma sabendo que está sem trabalho? E consegue sair pra happy hour, ir pra academia? Se fosse eu, estaria desesperada.” Mesmo aconteceu quando me separei do meu ex-marido. Alguém disse que eu era forte e não sabia como eu conseguia.

Mas uma coisa que me ajudou bastante nesses momentos, foi que em vez de ficar amofinada em casa, ou lamentando o problema, resolvi criar metas de felicidade diária. Que de certo modo afetaram meu dia de uma forma positiva. Então escrevi no meu caderno essas pequenas metas diárias, como por exemplo – ir ao yoga, comprar flores pra casa, limpar o banheiro com minha música preferida, fazer uma corrida de 5K, pintar as unhas de uma cor alegre, ir ao salão dá uma geral no cabelo, andar de bicicleta… São coisas simples, mas me ajudavam a ter um tempo pra mim e pra absorver melhor minha perda de uma forma positiva. Durante esse tempo, claro que eu tinha que sentar online e aplicar pra milhares de emprego, mas eu também saia no domingo a tarde pra dar a volta num parque, comprava uma planta bonita pra minha casa, tomava um banho de espuma com velas e assistia minha TV show favorita com um copo de vinho. Chorar? Claro, sou ser humano. Mas ter essas pequenas metas de felicidade diária, me ajudaram aceitar a perda com calma e apreciar e desfrutar minha vida quando nada pode ser mudado. 

E vocês, sabem lidar com a perda?

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12.03.2013

andando_sozinha_ambiente_vistoriado

Ilustração de EvgenyAverin

Recentemente foi o Valentine’s day aqui nos Estados Unidos e várias amigas estavam meio deprê por que estão sozinhas. Conversando com uma das minhas BFF sobre isso, eu mandei o link Como gostar de estar sozinho para passar uma motivação. E depois de  ler o texto e assistir o vídeo, ela resolveu sair num date com ela mesma e teve um dia excelente.

Fazer as coisas pra si mesmo pode ser intimidante, e dependendo da atitude, pode ser muitas vezes solitária. Mas, com o estado de espírito certo, fazer coisas sozinho, pode ser um desafio e também muito libertador. Independentemente do tipo de pessoa que você é – social ou anti-social, popular ou um chá de cadeira, e todas as diversas variações, tentar fazer coisas para si mesmo, lhe permite se auto-conhecer.

Por isso eu selecionei uma lista de coisas que acho que você deve tentar sozinho:

Ir a um bar

Para algumas pessoas, ir a um bar sozinha é uma versão do inferno, mas eu prometo a você que não é tão ruim quanto você pensa que é. Ir a um bar sozinha é uma boa maneira de sair da sua zona de conforto e você provavelmente vai aprender que nem sempre as pessoas são chatas. Você também vai provavelmente encontrar algumas pessoas que também tiveram a coragem de sair sozinho. Dica: Sorriso e dizer oi. E se isso não funcionar, bem, os bartenders são algumas das melhores pessoas que eu conheço.

Cozinhar uma refeição extravagante

Se você mora sozinho como eu, ou sua família esta viajando e você ficou só em casa, geralmente quando decide dar uma de cozinheira, a maioria das refeições provavelmente não levará mais 30 minutos pra ficar pronta. Muitas vezes é só dar uma esquentadinha, descongelar e tá pronto a gororoba, porque você não tem ninguém para impressionar. Mas não há nada mais gratificante do que tirar seu tempo  para fazer um jantar espetacular pra você mesma (se possível com direito a entradinha e sobremesa). De vez em quando se paparicar é muito bom. Eu gosto de pegar alguma receita que nunca tentei antes, separo cuidadosamente a lista de compras e já começo a curtir o dia fazendo as compras no supermercado. Antes de cozinhar tomo um banho gostoso, já acendo umas velas, coloco a minha playlist favorita e tento abstrair do stress e dos pensamentos chatos do dia. Cozinhar pode ser uma terapia gostosa, além do mais, você está treinando pra quando for cozinhar pros amigos, pra família ou pro amor.

Ir ao cinema

Essa é o tipo de atividade que pode provocar uma certa ansiedade nas pessoas. Mas é tranquilo gente. Eu adoro ir ao cinema em geral. Acho que tento ir uma vez por semana, seja com amigos, com o love ou sozinha. Sai do trabalho, pego minha pipoca e me divirto horrores.  Minha dica: tente uma vez ir ao cinema sozinha, e então tente novamente, você vai aprender a apreciá-lo.

Sair para uma longa caminhada

Eu moro perto de um parque onde tem os monumentos aqui em Washington, DC. E uma dos meus programas favoritos quando começa a esquentar é dar uma volta sozinha no parque. Eu nem preciso dos meus fones de ouvido, só gosto de andar, observar as pessoas e aproveitar a vida. A paz de espírito que você tem ao sair pra uma caminhada sozinha é excelente para o corpo, para a mente e o espírito. Você realmente vai apreciar o mundo ao seu redor, e vai viver o momento.

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Fazer compras

Sinceramente eu prefiro fazer compras sozinha. Não entendo esse povo que precisa sempre de alguém do lado, até quando vai comprar calcinhas. Fazer compras deveria ser uma experiência relaxante. Você começa ao decidir quanto tempo vai está fora de casa (se vai ser duas horas, a tarde, o dia todo) , e que lojas quer visitar, além de poder experimentar quantas roupas você desejar, sem se preocupar se está atrasando a outra pessoa.

Ver um show ao vivo

Eu gosto de ir pra shows acompanhada, mas nem sempre as pessoas tem a mesma disponibilidade pra me acompanhar para todos os shows que eu quero. Até porque eu moro do lado do meu club favorito e praticamente todo dia tem show por lá. Então comecei a ir com mais frequência sozinha. E notei que quando estou vendo um show ao vivo, provavelmente vou estar ao redor de pessoas que compartilham alguns dos meus interesses e por isso estar num show sozinha é uma maneira muito fácil de conhecer novas pessoas. E olha, o show pode ser tão bom que você nem mesmo vai perceber que está sozinho.

Viajar

Eu adoro viajar sozinha. Algumas pessoas estranham. Sozinha??? Sim amiga, sozinha da silva. Já fiz isso três vezes (excetuando as viagens a trabalho, claro). A primeira foi quando eu tinha uns 25 anos. Foi a segunda vez que saí do Brasil, eu e minha mochila. Passei três meses na Europa e me valeu por 20 anos de terapia. Foi muito interessante porque foi uma viagem dupla: pra fora e pra dentro. É muito bom sair da sua terra, onde você domina todos os códigos, e enfrentar a vida sem muita grana, sem saber direito como proceder em determinadas situações, e assim, aos poucos, descobrir a si mesmo, seus medos e sua coragem. Sim há três anos fui a Barcelona sozinha, e foi ótima a viagem. Viajar acompanhada é bom, muito bom, mas depende da companhia também. Eu sou muito independente, gosto de andar, andar, me perder, falar com as pessoas na rua, sentar nas praças, dar comida pros animais (é eu sei que não é permitido), gosto de comer bagulho, tirar fotos. Pra mim só tem o lado bom de viajar sozinha, você entra num museu e fica o tempo que quiser. Não precisa negociar nada. Tem todo o tempo do mundo. Quer pegar um metrô e ir para o outro lado da cidade? Ninguém te impede, ninguém te apressa, ninguém te julga. É o suprasumo da liberdade. Pois se a pessoa não tem teu rítmo a viagem fica muito chata. Estar só também é estar bem acompanhada.


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08.02.2012

Ontem, eu fui patinar no gelo. Todos no ringue de patinação eram jovens, com exceção de um senhor que tinha uns 60 anos. Ele estava sozinho, caia e sorria o tempo todo. E todas as crianças estavam rindo muito dele. Eu me aproximei e perguntei por que ele decidiu patinar hoje. Ele disse: “Eu estava no trabalho mais cedo e percebi que eu nunca tinha patinado no gelo. Então aqui estou eu.” #MFP

Nova categoria no blog – Me fez Pensar #MFP. Todos os dias acontecem coisas que nos fazem pensar e refletir sobre a vida, sobre o dia-a-dia, sobre os planos. Pequenas coisas que tem um significado enorme e que valem a pena serem divididas.

E então, o que aconteceu que te fez pensar?


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06.10.2011

Sempre quando acordo gosto de ler as notícias, antes mesmo de tomar banho, ligo meu computador e vejo as principais manchetes do dia. Mas hoje percebi um assunto comum em todos os jornais e sites: a morte do Steve Jobs, o fundador da apple. Ele tinha apenas 56 anos e lutou por anos contra um cancêr no pancreas. Enfim, muito triste. Mas não tenho dúvidas da perda de valor que terão com a morte de Steve. E como li em um blog “ Aqui o culto acaba, e com essa quebra se vai boa parte do sabor da maçã”.

Mas no decorrer do dia recebi um email em ingles de um texto dele, um discurso que ele fez para os formandos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em 2005. Quando li esse texto me emocionei muito e com todas as lições que podemos tirar dele. Resolvi dividir com vocês.

“Estou honrado por estar aqui com vocês em sua formatura por uma das melhores universidades do mundo. Eu mesmo não concluí a faculdade. Para ser franco, jamais havia estado tão perto de uma formatura, até hoje. Pretendo lhes contar três histórias sobre a minha vida, agora. Só isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira é sobre ligar os pontos.

Eu larguei o Reed College depois de um semestre, mas continuei assistindo a algumas aulas por mais 18 meses, antes de desistir de vez. Por que eu desisti?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era jovem e não era casada; estava fazendo o doutorado, e decidiu que me ofereceria para adoção. Ela estava determinada a encontrar pais adotivos que tivessem educação superior, e por isso, quando nasci, as coisas estavam armadas de forma a que eu fosse adotado por um advogado e sua mulher. Mas eles terminaram por decidir que preferiam uma menina. Assim, meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam um telefonema em plena madrugada “temos um menino inesperado aqui; vocês o querem?” Os dois responderam “claro que sim”. Minha mãe biológica descobriu mais tarde que minha mãe adotiva não tinha diploma universitário e que meu pai nem mesmo tinha diploma de segundo grau. Por isso, se recusou a assinar o documento final de adoção durante alguns meses, e só mudou de idéia quando eles prometeram que eu faria um curso superior.

Assim, 17 anos mais tarde, foi o que fiz. Mas ingenuamente escolhi uma faculdade quase tão cara quanto Stanford, e por isso todas as economias dos meus pais, que não eram ricos, foram gastas para pagar meus estudos. Passados seis meses, eu não via valor em nada do que aprendia. Não sabia o que queria fazer da minha vida e não entendia como uma faculdade poderia me ajudar quanto a isso. E lá estava eu, gastando as economias de uma vida inteira. Por isso decidi desistir, confiando em que as coisas se ajeitariam. Admito que fiquei assustado, mas em retrospecto foi uma de minhas melhores decisões. Bastou largar o curso para que eu parasse de assistir às aulas chatas e só assistisse às que me interessavam.

Nem tudo era romântico. Eu não era aluno, e portanto não tinha quarto; dormia no chão dos quartos dos colegas; vendia garrafas vazias de refrigerante para conseguir dinheiro; e caminhava 11 quilômetros a cada noite de domingo porque um templo Hare Krishna oferecia uma refeição gratuita.

Eu adorava minha vida, então. E boa parte daquilo em que tropecei seguindo minha curiosidade e intuição se provou valioso mais tarde.

Na época, o Reed College talvez tivesse o melhor curso de caligrafia do país. Todos os cartazes e etiquetas do campus eram escritos em letra belíssima. Porque eu não tinha de assistir às aulas normais, decidi aprender caligrafia. Aprendi sobre tipos com e sem serifa, sobre as variações no espaço entre diferentes combinação de letras, sobre as características que definem a qualidade de uma tipografia. Era belo, histórico e sutilmente artístico de uma maneira inacessível à ciência. Fiquei fascinado.

Mas não havia nem esperança de aplicar aquilo em minha vida. No entanto, dez anos mais tarde, quando estávamos projetando o primeiro Macintosh, me lembrei de tudo aquilo. E o projeto do Mac incluía esse aprendizado. Foi o primeiro computador com uma bela tipografia. Sem aquele curso, o Mac não teria múltiplas fontes. E, porque o Windows era só uma cópia do Mac, talvez nenhum computador viesse a oferecê-las, sem aquele curso. É claro que conectar os pontos era impossível, na minha era de faculdade. Mas em retrospecto, dez anos mais tarde, tudo ficava bem claro.

Repito: os pontos só se conectam em retrospecto. Por isso, é preciso confiar em que estarão conectados, no futuro. É preciso confiar em algo – seu instinto, o destino, o karma. Não importa. Essa abordagem jamais me decepcionou, e mudou minha vida.

A segunda história é sobre amor e perda.

Tive sorte. Descobri o que amava bem cedo na vida. Woz e eu criamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhávamos muito, e em dez anos a empresa tinha crescido de duas pessoas e uma garagem a quatro mil pessoas e US$ 2 bilhões. Havíamos lançado nossa melhor criação – o Macintosh – um ano antes, e eu mal completara 30 anos.

Foi então que terminei despedido. Como alguém pode ser despedido da empresa que criou? Bem, à medida que a empresa crescia contratamos alguém supostamente muito talentoso para dirigir a Apple comigo, e por um ano as coisas foram bem. Mas nossas visões sobre o futuro começaram a divergir, e terminamos rompendo – mas o conselho ficou com ele. Por isso, aos 30 anos, eu estava desempregado. E de modo muito público. O foco de minha vida adulta havia desaparecido, e a dor foi devastadora.

Por alguns meses, eu não sabia o que fazer. Sentia que havia desapontado a geração anterior de empresários, derrubado o bastão que havia recebido. Desculpei-me diante de pessoas como David Packard e Rob Noyce. Meu fracasso foi muito divulgado, e pensei em sair do Vale do Silício. Mas logo percebi que eu amava o que fazia. O que acontecera na Apple não mudou esse amor. Apesar da rejeição, o amor permanecia, e por isso decidi recomeçar.

Não percebi, na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. O peso do sucesso foi substituído pela leveza do recomeço. Isso me libertou para um dos mais criativos períodos de minha vida.

Nos cinco anos seguintes, criei duas empresas, a NeXT e a Pixar, e me apaixonei por uma pessoa maravilhosa, que veio a ser minha mulher. A Pixar criou o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é hoje o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. E, estranhamente, a Apple comprou a NeXT, eu voltei à empresa e a tecnologia desenvolvida na NeXT é o cerne do atual renascimento da Apple. E eu e Laurene temos uma família maravilhosa.

Estou certo de que nada disso teria acontecido sem a demissão. O sabor do remédio era amargo, mas creio que o paciente precisava dele.

Quando a vida jogar pedras, não se deixem abalar. Estou certo de que meu amor pelo que fazia é que me manteve ativo. É preciso encontrar aquilo que vocês amam – e isso se aplica ao trabalho tanto quanto à vida afetiva. Seu trabalho terá parte importante em sua vida, e a única maneira de sentir satisfação completa é amar o que vocês fazem. Caso ainda não tenham encontrado, continuem procurando. Não se acomodem. Como é comum nos assuntos do coração, quando encontrarem, vocês saberão. Tudo vai melhorar, com o tempo. Continuem procurando. Não se acomodem.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma citação que dizia algo como “se você viver cada dia como se fosse o último, um dia terá razão”. Isso me impressionou, e nos 33 anos transcorridos sempre me olho no espelho pela manhã e pergunto, se hoje fosse o último dia de minha vida, eu desejaria mesmo estar fazendo o que faço? E se a resposta for “não” por muitos dias consecutivos, é preciso mudar alguma coisa.

Lembrar de que em breve estarei morto é a melhor ferramenta que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas da vida. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo do fracasso – desaparece diante da morte, que só deixa aquilo que é importante. Lembrar de que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar armadilha de temer por aquilo que temos a perder. Não há motivo para não fazer o que dita o coração.

Cerca de um ano atrás, um exame revelou que eu tinha câncer. Uma ressonância às 7h30min mostrou claramente um tumor no meu pâncreas – e eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que era uma forma de câncer quase certamente incurável, e que minha expectativa de vida era de três a seis meses. O médico me aconselhou a ir para casa e organizar meus negócios, o que é jargão médico para “prepare-se, você vai morrer”.

Significa tentar dizer aos seus filhos em alguns meses tudo que você imaginava que teria anos para lhes ensinar. Significa garantir que tudo esteja organizado para que sua família sofra o mínimo possível. Significa se despedir. Eu passei o dia todo vivendo com aquele diagnóstico. Na mesma noite, uma biópsia permitiu a retirada de algumas células do tumor. Eu estava anestesiado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células ao microscópio começaram a chorar, porque se tratava de uma forma muito rara de câncer pancreático, tratável por cirurgia. Fiz a cirurgia, e agora estou bem.

Nunca havia chegado tão perto da morte, e espero que mais algumas décadas passem sem que a situação se repita. Tendo vivido a situação, posso lhes dizer o que direi com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito útil mas puramente intelectual.

Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que desejam ir para o céu prefeririam não morrer para fazê-lo. Mas a morte é o destino comum a todos. Ninguém conseguiu escapar a ela. E é certo que seja assim, porque a morte talvez seja a maior invenção da vida. É o agente de mudanças da vida. Remove o velho e abre caminho para o novo. Hoje, vocês são o novo, mas com o tempo envelhecerão e serão removidos. Não quero ser dramático, mas é uma verdade.

O tempo de que vocês dispõem é limitado, e por isso não deveriam desperdiçá-lo vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixem aprisionar por dogmas – isso significa viver sob os ditames do pensamento alheio.

Não permitam que o ruído das outras vozes supere o sussurro de sua voz interior.

E, acima de tudo, tenham a coragem de seguir seu coração e suas intuições, porque eles de alguma maneira já sabem o que vocês realmente desejam se tornar. Tudo mais é secundário.

Quando eu era jovem, havia uma publicação maravilhosa chamada The Whole Earth Catalog, uma das bíblias de minha geração. Foi criada por um sujeito chamado Stewart Brand, não longe daqui, em Menlo Park, e ele deu vida ao livro com um toque de poesia. Era o final dos anos 60, antes dos computadores pessoais e da editoração eletrônica, e por isso a produção era toda feita com máquinas de escrever, Polaroids e tesouras. Era como um Google em papel, 35 anos antes do Google – um projeto idealista e repleto de ferramentas e idéias magníficas.

Stewart e sua equipe publicaram diversas edições do The Whole Earth Catalog, e quando a idéia havia esgotado suas possibilidades, lançaram uma edição final. Estávamos na metade dos anos 70, e eu tinha a idade de vocês. Na quarta capa da edição final, havia uma foto de uma estrada rural em uma manhã, o tipo de estrada em que alguém gostaria de pegar carona. Abaixo da foto, estava escrito “Permaneçam famintos. Permaneçam tolos”. Era a mensagem de despedida deles. Permaneçam famintos. Permaneçam tolos. Foi o que eu sempre desejei para mim mesmo. E é o que desejo a vocês em sua formatura e em seu novo começo.

Mantenham-se famintos. Mantenham-se tolos.

Muito obrigado a todos.”

Fonte: site da Universidade de Stanford

 

 

 


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27.12.2010

2011 já está batendo na porta e agora é o momento de fazer aquela restrospectiva, pensar no ano que passou, nos acertos e nos erros, estabelecer metas e fazer novos planos. É sempre assim, com tudo na vida e porque não no blog?!

Nesse ano de 2010 o blog cresceu bastante e pra quem começou há um ano e meio atrás estou bem feliz com os resultados, pois hoje tenho uma média de 800 visitantes por dia. Adoro receber os emails de vocês, lê os comentários por aqui e perceber o carinho sincero. Esse blog aqui nasceu sem pretenção mas tem muito boa vontade e dedicação, e o melhor de tudo foi que por aqui fiz novos e maravilhosos amigos.

Bem resolvi fazer uma pequena retrospectiva dos melhores posts do blog no ano de 2010 para vocês. Espero que gostem!!

50 coisas para fazer quando você está triste.

Para os dias que bate aquela deprê, esse post tem algumas idéias para levantar o astral. Um post que não tem data de validade, por isso pode salvar nos seus favoritos.

Meu casamento na Praia ♥

Para mim esse foi um dos posts mais bonitos do blog (claro!! hahaha). Até hoje ainda recebo comentários carinhosos e emails de meninas pedindo dicas de casamento na praia.

O Segredo da Depilação a Laser

Esse ano resolvi acabar com a tortura da depilação a cera e me arrisquei na depilação a laser (o melhor investimento da minha vida). Fiquei super feliz com os resultados e nesse post eu conto para vocês detalhes do processo.

Como ser confidente

“Como ser você mesmo quando as pessoas estão ao nosso redor”? Parece que essas pessoas sentem a necessidade de nos incomodar sobre o que estamos vestindo, ou como olhamos, ou a cor do nosso cabelo. Deixe-me dizer uma coisinha. Ser “diferente” é sempre mais difícil do que ser “normal”, e fazer parte, ser aceito, é uma luta constante. Há muito esforço envolvido. Mas vale a pena??? Só você pode responder. (LEIA O POST)

Como organizar um casamento a distância?!!

Como já passei pelo casamento e sei que já é complicado organizar um casamento pessoalmente, imagina ter que resolver tudo de longe?  Então estou passando todas as dicas nesse post de  como foi organizar um casamento no Brasil morando no exterior, ou mesmo em outra cidade.

Como gostar de estar sozinho.

Antes de mais nada gostaria de esclarecer que não defendo a solidão total como a melhor maneira de se viver, pois o ser humano é gregário e poucas coisas na vida são tão agradáveis e construtivas quanto o convívio saudável com outras pessoas. No entanto, esse convívio deve ser espontâneo e prazeroso, senão não tem razão de ser. Lembram-se da velha máxima de que “antes só do que mal-acompanhado”? Como todo velho provérbio, ele é sábio e direto. Muitas vezes, estar sozinho pode ser mesmo a melhor opção. A solidão nos proporciona o encontro com nós mesmos, nos induz à reflexão e ajuda a iluminar o nosso caminho rumo ao autoconhecimento. E algumas experiências que a vida nos proporciona só acontecem quando você está sozinho, que ao contrario do que muitos pensam, as vezes nos deixa mais abertos.

O Ato Final

Morrer ou não morrer, eis a questão? Uma reflexão sobre o suicídio.

40 Formas para começar amar a você mesmo.

Amar a si próprio é um grande tema e muitas vezes difícil pôr em prática. Chega a ser assustador, por que amar a si mesmo envolve várias coisas e se aceitar, é apenas uma delas. Mas se você quiser se aprofundar no auto-amor, por onde começar? Então segue aqui algumas ideias para vocês.


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